
Cores no cinema. Esse projeto explora o uso de cor em filmes, utilizando como base o FilmGrab, catálogo digital com quase 2500 filmes, cujo objetivo é divulgar filmes de todas as eras, gêneros, e de uma diversa gama de vozes artísticas. Seu critério de seleção é simples: "lindos filmes que você já viu, e lindos filmes que você ainda não viu". A plataforma disponibiliza cerca de 60 quadros selecionados à mão de cada filme, e esses, junto com informações técnicas, configuram base de dados para esse projeto.
A metodologia elegida foi utilizar programação em Python para acessar todos os filmes, coletar todos os pixels dos respectivos quadros, e por fim extrair a cor de cada pixel, executando um primeiro processo de agrupamento. Como resultado obteve-se os dados conformados pelos números à esquerda. Para condensar, as 200 mil cores foram sintetizadas em 16, expostas abaixo. Essa rica base de dados foi transformada em uma série de visualizações aqui apresentadas, a partir das quais foram feitas observações advenientes de análises e descobertas próprias, mas que certamente não abrangem todas as informações passíveis de extração. No fim, há um momento para desbravamento individual das cores de cada filme. Esse projeto não esgota o potencial dessa base de dados, mas sim dá o primeiro passo dessa exploração.
frames selecionados dos filmes com maior frequência de cada cor: Pusher II (2004) (red), Do The Right Thing (1989) (maroon), Lemonade Joe (1964) (yellow), I Stand Alone - Seul Contre Tous (1998) (olive), Natural Born Killers (1994) (lime), Before Midnight (2013) (green), Excision (2012) (aqua), Kiki’s Delivery Service (1989) (teal), All About My Mother (1999) (blue), Bug (2006) (navy), Tower (2016) (fuchsia), Pink Narcissus (1971) (purple), A Girl Walks Home Alone at Night (2014) (black), Faster, Pussycat! Kill! Kill! (1965) (gray), Belladonna of Sadness (1973) (silver), Tower (2016) (white).
os gráficos são interativos, explore-os passando o cursor em cima, utilizando a legenda, o slider ou o menu no canto superior direito
o black é a cor mais comum, dominando a visualização, portanto, para privilegiar uma visão ampla, a sua frequência foi reduzida 6 vezes
o gray e o silver são as próximas cores mais comuns, portanto a sua frequência foi reduzida 2 vezes
os dados não são igualmente distribuídos entre categorias, então os gráficos trazem o número de filmes para permitir uma análise crítica
também devido à isso, optou-se por abordar os dados de forma relacional
Os gráficos acima e abaixo mostram a distribuição de cores por ano e década. Com eles é possível compreender um pouco sobre a evolução do uso de cor no cinema, assim como fazer certas especulações. É necessário, como mencionado, levar em consideração o número de filmes (visível ao passar o cursor sobre a imagem) que configuram o dado para assim considerar seus desvios, maiores no início.
O fim do século XIX e o início do século XX na indústria do cinema é marcado por uma série de diferentes procedimentos que objetivavam trazer as cores para os filmes.
Muitos dos processos eram póstumos à filmagem, como a pintura a mão quadro a quadro, por exemplo em Annabelle Serpentine Dance (1895) , extremamente custoso e de mão-de-obra intensiva, ou o tingimento da película, como em Birth of a Nation (1915) , entre outros.
Enfim desenvolveu-se tecnologia capaz de capturar cores em múltiplas tiras de filme, e Kinemacolor foi o processo que possibilitou a projeção desses, alternando entre quadros com filtros red e green e assim criando uma ilusão óptica que, apesar de seus limites, produzia imagens de cores surpreendentemente naturais aos olhos.
Nesse contexto inicial é que insere-se a primeira seção de filmes que observa-se no gráfico.
Paralelamente, progressos eram feitos na introdução de som ao cinema. O advento e a a viabilidade econômica do sistema de som óptico, o qual viria a permitir sincronismo labial, presente pela primeira vez em The Jazz Singer (1927), teria sinalizado a decadência do usos de procedimentos de colorização, justamente pelo fator econômico desses, o que poderia justificar a queda de cores no gráfico.
Esse cenário transforma-se com a inovadora técnica do Technicolor, capaz de capturar red , green e blue em três diferentes tiras de filmes, as quais eram pressionadas numa quarta tira em branco, resultando numa película verdadeiramente colorida. É assim que se dá a celebrada paisagem de Oz, em 1939 , onde as cores são elementos fundamentais da narrativa, e não só uma mera tentativa de representação da realidade.
Em 1951, a Eastman Color impulsiona ainda mais essa conjuntura, por ser um procedimento mais econômico e simples de usar.
Os filmes da década de 60 e 70 são os que menos utilizam o black, destacando-se o silver e o gray. Referenciando o nosso próprio imaginário, é fácil identificar esses filmes de imagens mais "apagadas", tomando como partida o nosso atual contexto.
O primeiro filme de longa metragem a ter mediação digital dos efeitos visuais é Super Mario Bros (199)3, o que sinaliza a importante transição em direção ao momento atual, onde a esmagadora maioria dos filmes são finalizados no espaço digital. Curiosamente, esse ponto é coincidente com o início da queda das cores não-neutras, razoavelmente constante até a última década. Seriam necessárias outras análises para entender melhor como a tradução para o meio digital, que justamente permitiu inimagináveis trabalhos de cor resultou nessa decresente curva. Seria interessante analisar mais minuciosamente a variedade das cores utilizadas a partir desse momento, e não só o percentual da versão sintetizada, o que provavelmente revelaria mais sobre o potencial do digital.
Até esse momento, as opções de manipulação limitavam-se a intensidade da luz, e à quantidade de red , green e blue. A edição digital tornou essa capacidade virtualmente infinita, campo onde os menores dos detalhes ganharam outras dimensões.
Atualmente é notável o processo HDR, o qual é capaz de ampliar ainda mais o espectro de luz das cores, configurando como um dos avanços mais impactantes dentro de toda essa história.
Quase 1500 dos filmes também apresentam informações sobre seu gênero, o que permitiu a visualização a seguir. É possível também isolar cada cor para fazer hipóteses e destaques mais específicos. Lembrando que essas são generalizações a partir dos dados, que não consideram nuances e complexidades individuais de filmes.
Além dessas, muitas outras análises podem surgir da exploração dos dados.
Abaixo, investiga-se os nuances dos subgêneros de duas categorias.
new wave
czech new wave
french new wave
german new wave
hollywood new wave
japanese new wave
O New Wave, foi um movimento artístico dos anos 50 e 60, que enfrentava e subvertia as convenções cinematográficas. Em termos de suas cores, nota-se uma maior aproximação nas manifestações em contexto mais próximos, French New Wave e German New Wave. Talvez o maior uso de cor do Hollywood New Wave revele que, mesmo nessa conjuntura contestatória, essa seja a versão que menos se afaste do cinema convencional. Nos casos da Japanese New Wave e da Czech New Wave, apesar da amostra ser especialmente pequena, 1 e 3 filmes respectivamente, os dados dão sinal de prováveis características bem particulares.
horror
a nightmare on elm st
giallo
zombie
Os subgêneros de Horror mostram diferentes manifestações desse estilo. A Nightmare On Elm St aproxima-se razoavelmente da média dos filmes do gênero. Giallo sobressai-se pela quantidade de red. Zombie conta com um único filme, mas que por si só é interessante por memorar o visual desvanecido que esses filmes costumam ter, característica que fica ainda mais evidente quando se desliga a visibilidade de cores neutras.
Roberta Berardo
rberardo33@gmail.com
Trabalho realizado para a disciplina AUP 2021 Design de Informação
FAU USP 2o semestre 2020 - Prof. Dr. Leandro Manuel Reis Velloso
Referências:
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RICHARDSON, L. BEAUTIFUL SOUP. Python Web Scraping Library. 2007. Disponível em: https://www.crummy.com/software/BeautifulSoup/.
MUTHUKADAN, Baiju. SELENIUM. Python API. 2018. Disponível em: http://www.seleniumhq.org/.
THE PANDAS DEVELOPMENT TEAM. PANDAS. Python Data Analysis Library. 2010. Disponível em: https://pandas.pydata.org/.
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FLUECKIGER, Barbara. Timeline of Historical Film Colors . 2013. Disponível em: www.filmcolors.org. Acesso em 10 de outubro de 2020.
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